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MP aponta R$ 3,5 milhões em saques em dinheiro vivo na gestão Andrés Sanchez no Corinthians

Por Redação FuTimão em 12/03/2026 21:04

O Ministério Público (MP) trouxe à tona informações preocupantes sobre movimentações financeiras ocorridas durante a administração de André s Sanchez à frente do Corinthians. Segundo o promotor Cássio Roberto Conserino, as investigações apontam para retiradas vultosas, totalizando aproximadamente R$ 3,5 milhões, efetuadas em espécie.

Essa revelação surgiu após uma inspeção conduzida pelas autoridades no Parque São Jorge, sede do clube, que se estendeu por cerca de quatro horas. Durante a visita, o promotor esteve reunido com o atual presidente, Osmar Stábile, e o diretor jurídico, Pedro Luís Soares, para coletar informações relevantes.

Investigação Detalha Movimentações Financeiras

Fontes próximas a André s Sanchez procuraram esclarecer que os valores em questão estariam vinculados a adiantamentos destinados a cobrir despesas operacionais do clube. Entre as justificativas apresentadas, destacam-se os reforços na segurança de eventos, tanto esportivos quanto sociais, que demandariam recursos em espécie para sua efetivação.

Relatos indicam que tais recursos poderiam, ainda, ser empregados em gastos logísticos do cotidiano corintiano. Isso incluiria despesas com transporte, aquisição de combustível e alimentação, elementos essenciais para a manutenção das atividades regulares da agremiação.

Planilhas e Diligências Revelam Saques em Espécie

O promotor Cássio Roberto Conserino explicou que a base da apuração reside em planilhas que detalham adiantamentos de despesas pagos em dinheiro vivo. A diligência realizada no Parque São Jorge, segundo o promotor, foi fundamental para avançar na linha de investigação que busca compreender essas movimentações financeiras em espécie.

"Nós conseguimos delinear uma linha de raciocínio para exteriorizar as provas necessárias para a demonstração da materialidade delituosa. Convencionamos fazer uma remessa da documentação que dizia respeito às planilhas que davam a entender sobre adiantamento de despesas em espécie.", declarou Cássio Roberto Conserino.

De acordo com Conserino, os registros já examinados indicam a realização de retiradas financeiras de vulto em dinheiro. Ele também ressaltou a colaboração do clube: "O Corinthians se comprometeu em abrir o sigilo fiscal e bancário e entregar ao Ministério Público a documentação que revela a retirada do dinheiro em consonância com a planilha que já foi exteriorizada na investigação, que denota, no mandato do ex-presidente André s Sanchez, a retirada de R$ 3,5 milhões em pecúnia."

Próximos Passos da Investigação e Colaboração do Clube

O promotor enfatizou que o clube demonstrou disposição em cooperar com a investigação, comprometendo-se a fornecer novos documentos ao Ministério Público. A expectativa é que essa documentação venha a confirmar a origem e a destinação dos valores apontados nas planilhas.

A entrega desse material está prevista para os próximos dias. "Ficou convencionado que no prazo de cinco dias vamos receber o restante dos pareceres e, em dez dias, vamos receber a documentação bancária que demonstra a retirada do dinheiro pelo funcionário.", informou Cássio Conserino.

O objetivo primordial da investigação, segundo Conserino, é verificar se as retiradas documentadas nas planilhas correspondem efetivamente às movimentações bancárias registradas. Além das planilhas e extratos bancários, o MP requisitou acesso a registros digitais do clube, uma medida que visa assegurar a análise técnica aprofundada das informações apresentadas.

Análise Tecnológica para Garantir Integridade dos Dados

O pedido de acesso a registros digitais abrange dados de diversos anos da administração corintiana. "Encaminhei um ofício ao diretor do TI para que ele disponibilizasse backup dos anos de 2018 a 2025 de todas as transações que ornamentaram a aprovação ou não de contas dos três últimos ex-presidentes.", explicou Conserino.

O promotor detalhou que a análise tecnológica será crucial para atestar a integridade da documentação. "Na ata, nós consignamos também a necessidade dessa prova tecnológica, até para averiguar a integridade da documentação entregue e possibilitar uma perícia feita pelos órgãos públicos.", concluiu Cássio Roberto Conserino.

Justificativas para os Saques em Espécie

Procuradas pela reportagem, pessoas ligadas a André s Sanchez reiteraram que os valores citados nas planilhas teriam como finalidade o adiantamento de despesas operacionais. Um dos focos principais seria o custeio de reforços na segurança, especialmente para eventos.

De acordo com essas fontes, os recursos eram majoritariamente destinados à contratação de profissionais autônomos para atuar como seguranças freelancers em diversas atividades do clube. Isso envolveria desde eventos esportivos de modalidades como basquete, futsal, vôlei, handebol, futebol feminino, categorias de base e natação, até eventos sociais realizados nas instalações do clube.

Ainda segundo esses relatos, os valores eram utilizados para suprir a necessidade de um efetivo de segurança ampliado, particularmente nos fins de semana, período em que o fluxo de associados no Parque São Jorge tende a se intensificar. Os recursos poderiam, adicionalmente, cobrir despesas operacionais pontuais, como alimentação, locomoção e combustível, utilizados no cotidiano das atividades do clube.

Pessoas próximas ao ex-presidente também apresentaram um cálculo: considerando o montante de aproximadamente R$ 3,4 milhões ao longo de cerca de 72 meses, o custo médio mensal dessas despesas seria de aproximadamente R$ 47 mil.

MP Investiga Outras Gestões e Busca Reparação

A diligência realizada nesta quinta-feira integra um conjunto de investigações conduzidas pelo Ministério Público que abarcam administrações anteriores do clube, incluindo as gestões de André s Sanchez e Duílio Monteiro Alves. O objetivo, conforme Conserino, é esclarecer movimentações financeiras e identificar possíveis irregularidades administrativas.

A investigação também visa determinar responsabilidades e o eventual prejuízo causado ao clube. "O objetivo é deixar claro que a vítima maior de tudo isso é o Corinthians . O Corinthians tem de entender que tem, lá na frente, em caso de eventual condenação, possibilidade de reparação por dano moral, ressarcimento por dano material. Quem saiu lesado, claramente, foi o Corinthians .", afirmou Cássio Conserino.

O Ministério Público aguarda agora o recebimento da documentação solicitada ao clube para prosseguir com a análise do material coletado durante a investigação.

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