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Corinthians x Flamengo: Quem São os Maiores? Uma Análise Profunda
Por Redação FuTimão em 01/02/2026 08:33
A relação entre Corinthians e Flamengo sempre foi marcada por uma comparação intrínseca, um espelho onde um tenta enxergar o reflexo do outro. Essa dinâmica, que remonta a décadas, foi evidenciada em 5 de fevereiro de 1982, quando a revista Placar lançou a provocativa pergunta em sua capa: "Por que o Corinthians não é um Flamengo?". O texto que instigou essa reflexão, assinado por Juca Kfouri, então colaborador da publicação, abordava as distinções entre os clubes em um período específico.
A própria Placar, conforme relatado por Juca Kfouri ao UOL, iniciou essa linha de questionamento após uma queda do Corinthians na Taça de Prata, que o obrigou a disputar a fase inicial do Campeonato Brasileiro em um grupo secundário. Foi nesse contexto que a revista propôs a comparação. Naquele tempo, o "Super Fla" vivia seu auge, conquistando a América e o mundo com uma equipe memorável, repleta de estrelas como Leandro, Júnior, Andrade, Adílio e Zico.
A Perspectiva Corintiana: Uma Afirmação de Grandeza
No entanto, o que se seguiu àquela provocação da Placar revelou uma visão distinta por parte da diretoria corintiana. Ainda no final de 1982, Juca Kfouri recebeu um bilhete do então diretor de futebol do Corinthians , Adilson Monteiro Alves, que expressava uma confiança notável na identidade do clube. "No final do ano, o Adilson Monteiro Alves me mandou um bilhete dizendo que o Corinthians não queria ser o Flamengo, porque era muito maior", relembrou Juca ao UOL.
Essa indagação, que ecoa há mais de quatro décadas, mantém sua relevância, ainda que as razões para a comparação tenham se transformado. Atualmente, apesar de arrecadações que ultrapassam a marca de R$ 1 bilhão, o Corinthians não conseguiu replicar a solidez financeira que o Flamengo tem construído nos últimos anos. "Para mim, o que está muito vivo hoje é que o Corinthians tinha tudo para ser o time mais poderoso do Brasil, até mais do que o Flamengo, embora tenha menos torcida. Isso porque o Corinthians tem, na sua sede, muito mais torcedores do que o Flamengo tem na dele", comentou Juca Kfouri ao UOL, ressaltando o potencial intrínseco do clube paulista.
Inversão de Papéis e Reestruturação Financeira
Curiosamente, o cenário já se apresentou de forma diametralmente oposta. Entre 2009 e 2015, o Corinthians se estabeleceu como a equipe a ser superada no futebol brasileiro, um feito notável considerando o rebaixamento à Série B poucos anos antes. Durante esse período de glórias, o clube conquistou a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes em 2012, com seu presidente, André s Sánchez, sendo aclamado como um dirigente exemplar no cenário nacional.
Em contrapartida, o Flamengo enfrentava um período de severa dificuldade financeira. Em 2013, o endividamento do clube ultrapassava a impressionante marca de R$ 800 milhões. André s Sánchez, em sua visão sobre essa fase, destacou a necessidade de uma abordagem independente para a reestruturação. "Quando o Corinthians subiu da Série B, estava arrebentado. Eu fui reestruturar de forma 100% independente, porque não havia acordo para ser candidato à presidência. Todo mundo queria ficar longe da Série B. No futebol, quando se faz acordo para ganhar eleição, não se consegue governar", declarou ao UOL. Ele também mencionou um desejo de colaboração com o Flamengo: "Comigo, o Corinthians sempre foi próximo do Flamengo, com o Kleber Leite e a Patrícia Amorim. Meu sonho sempre foi fazer negócios juntos, como vender direitos de transmissão de forma conjunta."
O Caminho para a Recuperação e Novos Desafios
Contudo, após a euforia da conquista do Mundial, o Corinthians iniciou um processo de endividamento que acompanhou a construção da Neo Química Arena, obra que, por si só, se tornou um passivo considerável para o clube. Simultaneamente, sob a gestão de Eduardo Bandeira de Mello, o Flamengo empreendeu um rigoroso processo de reestruturação financeira.
"No início de 2013, buscamos recuperar a credibilidade do clube, fazendo os sacrifícios necessários não só para quitar o passivo financeiro, mas também o ético e moral. O torcedor do Flamengo estava acostumado a perder dentro e fora de campo. O clube não cumpria compromissos, devia três ou quatro meses de salário", explicou Eduardo Bandeira de Mello ao UOL. Ele acrescentou: "Quem estava de fora, como eu e meu grupo, via um potencial enorme em um clube com mais de 40 milhões de torcedores, mas que não conseguia transformar isso em algo concreto. Fizemos o dever de casa e tratamos o assunto como ele merecia."
A Declaração que Gerou Polêmica e o Cenário Atual
Em agosto de 2025, durante uma coletiva de imprensa no Parque São Jorge, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians , proferiu uma frase que gerou repercussão: "Corinthians queria ser o Flamengo". Essa declaração, que desagradou parte da Fiel Torcida, foi defendida pelo dirigente como um reflexo do anseio corintiano em atingir o patamar financeiro do rival. "Nem sei se me expressei mal ou se houve má-fé de quem ouviu. Minha fala não era sobre ser torcedor, mas gestor. Ninguém em sã consciência não gostaria de estar na situação em que eles estão. Eles conseguiram contratar um jogador gastando 50 milhões de euros, fazendo o caminho inverso", argumentou Romeu Tuma Júnior ao UOL. Ele também lamentou oportunidades perdidas: "Havia muitas coisas acontecendo, havia esperança. Tenho certeza de que, se algumas decisões tivessem sido tomadas, não estaríamos nessa situação hoje. Talvez nem tivéssemos esse jogo, porque poderíamos ter ganho os dois campeonatos."
Apesar das disparidades financeiras, Corinthians e Flamengo demonstraram sua força esportiva em 2025, sagrando-se campeões nacionais. O Timão ergueu a taça da Copa do Brasil, enquanto o Rubro-Negro celebrou as conquistas do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores. Esses triunfos colocam frente a frente os clubes das duas maiores torcidas do país na Supercopa do Brasil de 2026, marcando a primeira decisão da temporada do futebol brasileiro. A partida está agendada para este domingo, às 16h (horário de Brasília), no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.
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