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António Oliveira fala sobre Cássio e futuro no Corinthians
Por Redação FuTimão em 05/01/2026 11:15
Atualmente em Lisboa, António Oliveira desfruta de um período de descanso incomum em sua trajetória profissional. Após cinco temporadas ininterruptas no cenário brasileiro, o treinador português utiliza o tempo livre para se reciclar taticamente e restabelecer os laços familiares, após passagens intensas por clubes como Cuiabá, Athletico-PR e, mais recentemente, o Corinthians.
Sobre o período sabático, o técnico destaca a importância do convívio com os seus:
?Estou a aproveitar algo que já há muito tempo não fazia: desfrutar do meu tempo em família, com os meus filhos, com a minha mulher, acompanhar os meus pais. É sempre muito difícil estar longe de casa e de quem amamos. Agora penso em descansar e ouvir propostas que ofereçam confiança ao treinador e projetos sustentados.?
Apesar do foco momentâneo na vida pessoal, o mercado brasileiro permanece como uma prioridade natural para o seu futuro. Oliveira ressalta que sua trajetória no país não foi planejada, mas sim fruto de oportunidades que surgiram desde 2020. Para ele, o futebol moderno exige que o profissional escolha ambientes que ofereçam, acima de tudo, organização e tempo para a implementação de processos sólidos.
| Estatística | Dados no Corinthians |
|---|---|
| Jogos realizados | 27 |
| Vitórias | 12 |
| Empates | 8 |
| Derrotas | 7 |
| Aproveitamento | 54% |
A polêmica substituição de Cássio e a frustração com Carlos Miguel
Um dos pontos mais sensíveis de sua gestão no Parque São Jorge foi a decisão de levar Cássio ao banco de reservas. Segundo o treinador, a escolha teve nuances que foram além das quatro linhas, visando preservar o ídolo em um momento de fragilidade emocional.
?Sempre quis contar com o Cássio. A decisão de o tirar foi técnica, mas também para o proteger, porque ele atravessava um momento emocional difícil. A saída do clube foi entre ele e a direção.?
A sucessão na meta alvinegra, no entanto, trouxe novos problemas. Carlos Miguel, que assumiu a titularidade com o aval de Oliveira, deixou o clube de forma abrupta, o que gerou mágoa no técnico.
?Ele sabe que me decepcionou. Deixou-me com o bebê na mão. Tínhamos acordado que faria os oito jogos até a parada. Mas aprendeu com o erro, e temos ótima relação?, desabafou o português.
Oliveira também analisou as dificuldades estruturais que enfrentou, citando as perdas de lideranças como Paulinho e a ausência de Fagner por lesão como fatores que comprometeram o início do Campeonato Brasileiro. Para ele, a falta de resultados imediatos em um ambiente de alta pressão acaba por penalizar trabalhos que ainda buscam identidade.
O sonho de regressar ao Timão e o impacto da Fiel Torcida
Mesmo com o encerramento prematuro de seu ciclo, António Oliveira não esconde a profunda identificação que criou com o Corinthians . Ele descreve a experiência de comandar o clube como uma das maiores responsabilidades de sua carreira e exalta o papel dos torcedores no dia a dia da instituição.
?Tem uma torcida fenomenal, fantástica, que aprendi a amar. Um torcida que carrega qualquer treinador, qualquer jogador para a frente, tenho respeito absoluto pelo clube, pelos jogadores e pela torcida. Dei tudo o que tinha todos os dias e digo-lhe de uma forma muito franca que um dia gostaria de regressar?, afirmou o treinador, que valoriza a competitividade apresentada pela equipe sob seu comando, especialmente nas competições eliminatórias.
Contudo, o técnico faz uma análise crítica sobre o panorama financeiro e administrativo do clube. Ele acredita que os problemas acumulados ao longo dos anos geraram um cenário difícil de contornar.
?Um dia a conta iria chegar. É um gigante com potencial tremendo, mas erros de gestão levaram a um momento caótico. Espero que estabilize?, comentou Oliveira, mencionando as conquistas do clube em 2025 como um sinal de resiliência apesar dos bastidores conturbados.
Gestão desportiva e a influência do futebol português
A ascensão de técnicos lusitanos no Brasil, impulsionada por nomes como Abel Ferreira e Jorge Jesus, é vista por António como um fator que eleva a régua de cobrança. Ele defende que a longevidade de um trabalho está diretamente ligada à capacidade de adaptação ao contexto local e, principalmente, à qualidade da gestão dos dirigentes.
?Tive dois anos brilhantes no Cuiabá, que para mim é referência em gestão desportiva e financeira. O Palmeiras é outro exemplo. O problema de muitos clubes é a incapacidade de avaliar o processo. Mudam muito, vivem sob pressão externa e procuram bodes expiatórios.?O treinador também lamentou episódios pontuais de xenofobia que sofreu, embora prefira focar na boa acolhida que recebeu da maioria dos profissionais brasileiros.
Oliveira encerra reforçando seu compromisso com a evolução contínua. Mesmo afastado dos gramados, ele mantém uma rotina de estudos táticos rigorosa, inspirado pelos valores transmitidos por seu pai, Toni, lenda do Benfica. Para o futuro, o treinador permanece criterioso:
?Só saio de Portugal para projetos com provas dadas de confiança ao treinador e tempo para implementar processo. Quero desfrutar da família, recuperar o que perdi nesses cinco anos. Mas, se surgir um projeto sólido, estarei disposto a regressar ao Brasil ou a qualquer mercado.?
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