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Tensão no Conselho do Corinthians: Vice questiona afastamento de Romeu Tuma Jr.

Por Redação FuTimão em 24/03/2026 12:01

A liderança do Conselho Deliberativo do Corinthians encontra-se em um impasse jurídico. Leonardo Pantaleão, vice-presidente do órgão e sucessor natural na hierarquia, expressou ceticismo quanto à legalidade da reunião que resultou no afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior da presidência.

Pantaleão declarou que, na ausência de reconhecimento judicial para a validade da assembleia, ele não assumirá o posto de presidente. "Enquanto não houver o reconhecimento de sua validade jurídica, não se configura alteração formal na presidência do Conselho Deliberativo, razão pela qual eventual assunção de função não se opera de forma automática. Os atos institucionais serão praticados com estrita observância ao Estatuto Social, até a devida verificação de sua conformidade", afirmou o advogado em comunicado oficial.

Impasse na Presidência do Conselho Deliberativo

A reunião em questão foi convocada pelo presidente Osmar Stabile com o objetivo de deliberar sobre o afastamento de Romeu Tuma Júnior, com quem Stabile mantém um conflito político declarado no Parque São Jorge. Uma parte significativa dos conselheiros, incluindo Leonardo Pantaleão, optou por não comparecer ao encontro na noite de segunda-feira, alegando supostas irregularidades no procedimento estatutário.

Apesar das ausências, a votação contou com a participação de 137 dos 290 conselheiros. Deste total, 115 votaram a favor do afastamento de Romeu Tuma Júnior, enquanto 15 se posicionaram contra e sete se abstiveram.

As Raízes do Conflito Político no Corinthians

O embate político que culminou nesta situação tem suas origens na discussão sobre a reforma do estatuto do clube. Uma das propostas centrais dessa reforma é a concessão do direito ao voto para o Fiel Torcedor nas eleições presidenciais. Esse ponto tem gerado intensos debates e divergências entre os membros do conselho.

No dia 9 de março, os conselheiros foram convocados para votar cada item da reforma. Contudo, antes do início da votação, Osmar Stabile tomou a palavra para acusar Romeu Tuma Júnior de interferir em sua administração e de tê-lo ameaçado dentro das instalações do clube. Stabile relatou o seguinte incidente: "Enquanto eu jantava, ele (Tuma) disse assim: 'ou você faz o que eu quero ou eu vou te foder'. Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. Tenho testemunhas aqui sobre isso além de outras interferências. Trago aqui documentos sobre ele (Tuma) me pedindo atualizações sobre o que faço. Não posso aceitar mais isso, só colocando uma situação aqui. Assunto do censo do Corinthians, ele me colocou 30 pontos que gostaria de saber. Por que você quer saber? Posso vir aqui e responder o que vocês quiserem. Não vou aceitar isso, trago isso para vocês resolverem", declarou Stabile naquele momento.

A declaração do presidente gerou forte reação entre os conselheiros, levando a trocas de empurrões e discussões acaloradas, o que inviabilizou o prosseguimento da reunião. Diante do ocorrido, Romeu Tuma Júnior encerrou o encontro e agendou para 18 de abril a assembleia geral de associados, onde a mudança estatutária poderia ser oficializada. Posteriormente, Stabile formalizou a denúncia internamente, solicitando apuração dos fatos pela Comissão de Ética e Disciplina.

Posicionamento Formal de Leonardo Pantaleão

O vice-presidente Leonardo Pantaleão divulgou um comunicado detalhando seu posicionamento sobre a deliberação ocorrida. "Em relação à deliberação ocorrida, reconhece-se a manifestação de Conselheiros no âmbito da reunião realizada. Todavia, os efeitos jurídicos de qualquer deliberação pressupõem a regularidade do ato que lhe deu origem, circunstância que, como já assinalado, suscita relevantes discussões sob o prisma estatutário. Ademais, ainda que se desconsidere eventual vício formal, subsistem questionamentos consistentes acerca da condução dos trabalhos ao longo da reunião, o que igualmente recomenda cautela na atribuição de eficácia a eventuais deliberações. Enquanto não houver o reconhecimento de sua validade jurídica, não se configura alteração formal na presidência do Conselho Deliberativo, razão pela qual eventual assunção de função não se opera de forma automática. Os atos institucionais serão praticados com estrita observância ao Estatuto Social, até a devida verificação de sua conformidade."

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