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Supercopa 1991: O Último Título de Vicente Matheus e o Início da Era Marlene no Corinthians
Por Redação FuTimão em 30/01/2026 05:43
A trajetória de um presidente histórico do Corinthians foi marcada por um evento singular: a conquista da Supercopa do Brasil em 1991. Este título, embora por vezes esquecido, carrega um significado profundo, conectando-se diretamente a uma das figuras mais emblemáticas da história alvinegra, Vicente Matheus.
A única vez que o Timão ergueu essa taça nacional ocorreu em 27 de janeiro de 1991. Essa data não foi apenas a de uma vitória esportiva, mas também o palco do último troféu levantado por Vicente Matheus em sua gestão como presidente do clube. Sua influência no Corinthians é inegável, tendo guiado o time em momentos cruciais, como a quebra de um jejum de 23 anos no Campeonato Paulista de 1977 e a conquista inédita do Campeonato Brasileiro em 1990.
A Influência de Vicente Matheus Além das Quatro Linhas
Vicente Matheus transcendeu o papel de dirigente, tornando-se um personagem lendário. Sua visão estratégica se manifestou em ações marcantes fora das quatro linhas, como a audaciosa contratação de Sócrates em 1978, um movimento que frustrou o rival São Paulo e trouxe para o clube um dos maiores ídolos da sua história. Sua personalidade peculiar e suas falas memoráveis, como "quem sai na chuva é para se queimar", "dirigir um clube de futebol é como uma faca de dois legumes" e "comigo ou sem migo, o Corinthians será campeão", ecoam através das gerações.
O contexto da Supercopa de 1991 era particular. Com uma audiência modesta de apenas 2.706 torcedores no Morumbi, o jogo coincidiu com o dia da eleição que definiria o futuro da presidência corintiana. A eleição, para surpresa de muitos, teve como vencedora Marlene Matheus, então primeira-dama do clube, que assumiria oficialmente o cargo em março daquele ano.
A Surpreendente Ascensão de Marlene Matheus
A candidatura de Marlene foi uma iniciativa do próprio Vicente, que a comunicou sua decisão de lançá-la à imprensa sem o seu prévio conhecimento. A própria Marlene relatava com bom humor essa peculiaridade: "Eu estava dirigindo e ouvi no rádio o Vicente dizendo que iria lançá-la candidata. Quando cheguei em casa, perguntei o que era aquilo, e ele respondeu que era exatamente o que ela tinha ouvido." Essa narrativa, compartilhada pelo jornalista, professor e especialista na história do Corinthians , Celso Unzelte, ilustra a dinâmica incomum daquela eleição.
Após sua aclamação como presidente, Marlene Matheus expressou sua determinação em imprimir sua própria marca na gestão, embora contasse com o apoio do marido na área do futebol. Em declarações à Folha de S. Paulo, ela afirmou: "Vou provar que não entrei nessa luta para ser apenas 'laranja' do meu marido. Trabalharemos juntos para construir um Corinthians ainda melhor. E ele vai me dar todo mês o dinheirinho para eu gastar." Sua eleição, destacada na capa da Folha de S. Paulo em 28 de janeiro de 1991, marcou um feito histórico: a primeira e, até hoje, única mulher a presidir o Corinthians .
A baixa presença de público no Morumbi naquele domingo chuvoso não se deveu apenas à coincidência com a eleição. O duelo contra o Flamengo, que terminou com vitória corintiana por 1 a 0, atraiu um público significativamente menor do que o esperado. Celso Unzelte, relembrando o evento, comentou: "Como torcedor, a chuva foi o motivo (para não ir ao Morumbi). Eu já trabalhava na Placar, mas a revista era mensal e estávamos em férias coletivas. Não havia essa urgência de publicação. Lembro que ouvi esse jogo pelo rádio. No dia anterior, fui ao amistoso contra o Hamburgo, no Canindé."
O Legado da Supercopa e o Retorno de um Torneio Esquecido
A própria eleição presidencial também registrou uma participação abaixo do esperado. Dados da época indicam que pouco mais de 5 mil associados compareceram ao Parque São Jorge para votar, um número considerado decepcionante frente à expectativa de pelo menos 8 mil eleitores. Curiosamente, mais corintianos estiveram presentes na sede social do clube do que no estádio para assistir à final da Supercopa.
A edição de 1991 representou o fim da Supercopa do Brasil por um longo período. Antes dela, apenas um torneio havia sido realizado em 1990, coroando o Grêmio como o primeiro campeão. Após o modesto impacto em termos de público e repercussão, o torneio foi retirado do calendário nacional, sendo retomado apenas em 2020 e disputado anualmente desde então.
Atualmente, Corinthians e Flamengo se reencontram em uma decisão de Supercopa do Brasil neste domingo, às 16h (de Brasília). O cenário, contudo, é diametralmente oposto ao de 1991. Apesar de ser a primeira taça nacional de 2026 e ocorrer em meio a uma pré-temporada abreviada, o confronto ostenta grande apelo e promete atrair mais de 70 mil torcedores ao Mané Garrincha, em Brasília. O Flamengo detém o recorde de títulos da Supercopa, com três conquistas, incluindo a do ano passado, além de dois vice-campeonatos, um deles contra o próprio Corinthians . Para o Timão, esta é a oportunidade de retornar à competição após mais de três décadas de ausência.
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