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Sócrates: Maior ídolo do Corinthians, passagem frustrada pelo Flamengo

Por Redação FuTimão em 01/02/2026 08:13

Em meio à expectativa para a Supercopa Rei, que coloca frente a frente Flamengo e Corinthians neste domingo, é oportuno revisitar o histórico entre os gigantes do futebol brasileiro e a surpreendente trajetória de jogadores que defenderam ambos os escudos. Nomes como Adriano, Marcelinho Carioca, Renato Abreu, Fábio Luciano, Gamarra, Edilson Capetinha e Liedson são apenas alguns exemplos dessa troca. Contudo, um fato peculiar chama a atenção: o maior ídolo de um desses clubes teve uma passagem apagada pelo rival.

Tanto em uma pesquisa realizada pelo ge com 100 jornalistas especializados na história alvinegra em 2019, quanto em uma enquete promovida junto à torcida, o nome de Sócrates emergiu como o maior ídolo do Corinthians . Entre 1978 e 1984, o lendário meio-campista encantou os corações alvinegros com 298 partidas disputadas, 172 gols marcados e a conquista de três Campeonatos Paulistas (1979, 1982 e 1983). Além de suas proezas em campo, Sócrates transcendeu o esporte ao se tornar o grande símbolo da "Democracia Corinthiana", um movimento pioneiro de gestão democrática dentro do clube.

O Sonho da Dupla de Ouro no Rio

Em setembro de 1985, um ano após sua saída do Corinthians rumo à Fiorentina, na Itália, Sócrates foi emprestado ao Flamengo. O clube carioca desembolsou US$ 100 mil (aproximadamente Cr$ 800 milhões na cotação da época) aos italianos, visando formar uma dupla de ataque espetacular ao lado de Zico, outro ícone do futebol brasileiro. A expectativa era tamanha que Zico fez questão de recepcionar o novo companheiro no aeroporto.

O radialista Eraldo Leite, com sua habitual vivacidade, comparou a união à de "Messi e Cristiano Ronaldo hoje no mesmo time", dimensionando a magnitude da expectativa gerada.

No entanto, o que se desenhou no papel como uma parceria avassaladora, na prática, não se concretizou. A dupla, que prometia encantar os torcedores, mal teve a oportunidade de brilhar junta. Logo nos primeiros treinos realizados na Gávea, o destino impôs um obstáculo: Sócrates sofreu uma fratura no tornozelo esquerdo. O tempo de recuperação foi longo, totalizando 75 dias até que pudesse retornar aos treinos com bola, sem contar o período de readaptação física.

"No segundo treino, eu estava apitando, e ele recuando, parece que torce o tornozelo, cai e tem uma fratura. Isso era desesperador, um fato raríssimo, não houve choque. Infelizmente essa lesão afastou um pouquinho ele do grupo. Viva em tratamento, fisioterapia e muitas vezes em São Paulo", relembrou Sebastião Lazaroni, que na época exercia as funções de preparador físico e assistente técnico do Flamengo.

Estreia Tardía e Fim da Parceria

Sócrates só conseguiu fazer sua estreia com a camisa rubro-negra em 1986. Ao todo, foram apenas três jogos ao lado de Zico: dois amistosos, contra o Al Riffa, do Bahrein, e a seleção do Iraque, e um jogo oficial pela Taça Guanabara contra o Fluminense. A partida contra o Tricolor, realizada em 16 de fevereiro, há exatos 40 anos, com um Maracanã lotado por 84 mil espectadores, foi a única em que a dupla pôde atuar junta em uma competição oficial. Na ocasião, o Flamengo goleou por 4 a 1, com Zico marcando um hat-trick.

"No jogo seguinte eles já tinham saído para servir a Seleção. E quando o Sócrates voltou, teve um problema de coluna e não jogou mais com o Zico porque ele voltou da Copa e foi de novo para uma cirurgia do joelho", explicou Eraldo Leite, detalhando o encadeamento de infortúnios que impediu a consolidação da parceria.

O retorno de Sócrates ao gramado pelo Flamengo ocorreu apenas em novembro daquele ano. Apesar de ter engatado uma sequência de partidas, o Doutor jamais conseguiu replicar o brilho e a magia que o consagraram como ídolo corintiano. Ao final de sua passagem pelo clube carioca, acumulou 20 jogos e cinco gols. Enquanto Zico, após um período de um ano afastado por lesão, retornou em junho de 1987, pouco tempo antes de Sócrates deixar o Flamengo.

"Foi isso, não coincidiu, cara. Se eles jogam juntos, já era", lamenta até hoje Bebeto, que integrava o elenco de jovens talentos do Flamengo na época, evidenciando a frustração com o que poderia ter sido.

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