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SAFiel Corinthians: Especialista Detalha Desafios e Caminhos para Reestruturação

Por Redação FuTimão em 31/10/2025 04:13

Na última terça-feira, dia 28, uma iniciativa significativa para o futuro do Sport Club Corinthians Paulista foi apresentada: o projeto SAFiel. Proposto por um coletivo de investidores corintianos, o plano visa estabelecer uma Sociedade Anônima do Futebol com o objetivo primordial de sanear as finanças do clube e implementar uma gestão mais alinhada às práticas modernas. A proposta já está nas mãos da diretoria do Parque São Jorge para avaliação.

A concepção central da SAFiel é operar como uma entidade empresarial autônoma, dedicada exclusivamente às vertentes do futebol ? abrangendo o masculino, o feminino e as categorias de base. Essa separação estratégica visa desvincular as operações futebolísticas da administração do clube social, permitindo um foco mais apurado e profissional em cada área. A inspiração para este modelo de governança e sustentabilidade financeira é o renomado Bayern de Munique, uma referência global.

Contudo, é justamente a respeito da imperativa necessidade de uma profunda transformação estrutural que o economista Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e uma autoridade em reestruturação financeira de clubes, emite um alerta crucial.

A Transição Necessária: Lições do Bayern de Munique

Assayag enfatiza que a mera continuidade do status quo é insuficiente para o sucesso da nova empreitada. "A nova instituição não deve ser uma simples continuação da estrutura anterior, no que toca aos modelos de gestão e de governança. Ao contrário, deve representar uma evolução corrigindo o que não deu certo e preservando o que funcionou", declara o economista.

O exemplo do gigante alemão, o Bayern, ilustra como é viável atrair capital substancial sem comprometer a essência e a identidade do clube. No modelo bávaro, 75% das ações são detidas pelos próprios sócios ? um universo de aproximadamente 300 mil membros ativos. Os 25% restantes são distribuídos entre três parceiros de longa data: Adidas, Audi e Allianz.

Acionista do Bayern de Munique Participação Acionária
Sócios do Clube 75%
Adidas 8,33% (aproximadamente)
Audi 8,33% (aproximadamente)
Allianz 8,33% (aproximadamente)

?O Bayern é um exemplo relevante de atração de capital, na medida em que mantém, dentre os novos sócios, vínculos com a instituição ? sejam de afiliação, no caso dos controladores, ou de parcerias estratégicas e históricas com o clube?, explica Assayag, que já contribuiu em processos de reestruturação em clubes como o Botafogo.

A transparência e o alinhamento de propósitos são, conforme Assayag, elementos indispensáveis para a prosperidade de tal modelo. ?Eles abriram à participação externa de maneira controlada. Patrocinadores, fornecedores e torcedores estão todos alinhados ao mesmo propósito e integrados ao modelo de gestão e de governança. E isso, em um ambiente estável e com visão de longo prazo como o alemão, é algo difícil de replicar?, complementa o especialista.

SAFiel do Corinthians: Projeções Financeiras e os Desafios da Implementação

No contexto do Corinthians , o projeto SAFiel prevê a comercialização de ações no mercado. Para os torcedores, haverá direito a voto, com um limite máximo de 1,8% de poder por acionista, uma medida para evitar a concentração de controle. Investidores institucionais também poderão participar, mas sem direito a voto, focando no retorno financeiro.

A expectativa é levantar um capital significativo, variando entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2,5 bilhões. Esses recursos seriam direcionados para a quitação de dívidas, a modernização das infraestruturas e o aprimoramento da gestão geral. O clube social, por sua vez, permaneceria autônomo e isento de débitos, sendo sustentado por royalties pagos pela SAF. Atualmente, a dívida do Corinthians é estimada em R$ 2,7 bilhões.

Aspecto Financeiro da SAFiel Detalhe
Capital Esperado R$ 1,6 bilhão a R$ 2,5 bilhões
Destino dos Recursos Quitação de dívidas, modernização, aprimoramento da gestão
Dívida Atual do Corinthians R$ 2,7 bilhões (estimada)
Sustento do Clube Social Royalties pagos pela SAF

Os desafios para a SAFiel, no entanto, são complexos, conforme destaca Assayag: ?O desafio de fazer a SAFiel bem-sucedida é maior que o anterior porque passa pelo equilíbrio entre o que o modelo da SAF traz de novo e positivo versus o que o modelo atual associativo tem de bom e que irá se estender para dentro da SAFiel. A SAFiel deve conter muita coisa do Corinthians atual mas não pode ser apenas uma extensão do modelo de governança ou de gestão atuais porque esses modelos não se mostraram adequados. Essa transição de modelos no Bayern foi suave, ainda que com o clube associativo permanecendo majoritário?.

Ao comparar com o Bayern de Munique, o economista aponta diferenças cruciais na mentalidade e no ambiente. ?Implementar o modelo tem o desafio de manter alinhados os interesses dos investidores. Ser torcedor do time é um ponto de alinhamento, mas atender as expectativas dos sub-grupos de investidores com relação tanto ao retorno como com relação à influência na gestão de cada grupo é relevante para o sucesso da implantação do modelo. No modelo alemão, tanto econômico, como de sociedade em geral, o objetivo é sempre de longo prazo, quase de perenidade, que vai muito além da busca por resultados imediatos e em todos os anos. Isso alinha muito os interesses dos acionistas do novo modelo por lá, mas não é o caso aqui no Brasil, via de regra. Além disso, no clube alemão, os sócios hoje de fato são parceiros do históricos do clube, com um envolvimento prévio quase que de sócios de fato. Com a pulverização prevista entre torcedores e mesmo investidores institucionais torcedores, esse alinhamento e essa visão de longo prazo não estão garantidas automaticamente.?

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