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Problemas no gramado da Neo Química Arena preocupam o Corinthians
Por Redação FuTimão em 05/08/2026 05:09
O palco que durante anos foi aclamado como o melhor gramado do futebol brasileiro, a Neo Química Arena, tornou-se o centro de um debate preocupante. Recentemente, a qualidade da superfície de jogo tem sido alvo constante de reprovações por parte de treinadores e atletas. A insatisfação atingiu um novo patamar após o empate sem gols diante do Athletico-PR, ocasião em que o técnico Fernando Diniz e diversos jogadores corintianos expuseram publicamente o descontentamento com o estado do terreno.
Essa realidade é um distanciamento drástico da reputação consolidada desde a inauguração do estádio em 2014. O cenário atual é fruto de uma reforma profunda realizada durante a pausa para a Copa do Mundo de 2026. A decisão estratégica de renovar o gramado, somada ao retorno das atividades competitivas antes do ciclo completo de maturação da grama, gerou os problemas de performance que hoje são visíveis a olho nu.
Os bastidores da reforma inédita na Arena
A Neo Química Arena aproveitou o recesso do calendário para executar uma das intervenções mais robustas de sua história. Após o confronto entre a Seleção Feminina e os Estados Unidos em 6 de julho, iniciou-se a remoção do piso antigo. O procedimento compreendeu a retirada da matéria orgânica, a preservação da fibra sintética instalada na base e a preparação para a nova camada vegetal. Este trabalho deu continuidade a uma série de melhorias iniciadas em julho de 2025.
Pela primeira vez, a troca integral ocorreu durante o inverno, visando otimizar o desenvolvimento da ryegrass, espécie europeia que se beneficia do sistema de resfriamento subterrâneo da Arena. Para elevar o nível do projeto, o estádio investiu em novos equipamentos de fotossíntese. Contudo, o adiamento do cronograma original ? que deveria ter ocorrido na virada de 2025 para 2026 ? forçou uma execução em período de alta carga de jogos.
Sobre a situação, o gestor operacional do estádio, Márcio Luna, reconheceu que os resultados iniciais frustraram a expectativa. ? Isso foi a primeira vez que aconteceu na Neo Química Arena desde a sua construção. Nós já fizemos outras trocas no passado, no período de verão, e o desempenho foi satisfatório. Diante disso, já acionamos a empresa responsável pela manutenção do gramado, que atua nesta função desde a construção do estádio, para que a performance do campo esperada seja alcançada até o próximo jogo (contra o Internacional) ? afirmou.
O desafio da maturação e as cobranças internas
O cerne do problema reside na antecipação do uso do campo. Diferente de gramados pré-cultivados em rolos, o sistema híbrido da Arena, composto por ryegrass e fibras, depende de semeadura e enraizamento. Sem o tempo ideal de 56 dias para a maturação completa, a densidade da grama fica comprometida, deixando a base de areia exposta em certas áreas. Embora a World Sports, empresa gestora, tenha garantido que os critérios de segurança da Fifa foram atendidos após 40 dias, a prática mostrou um campo ainda frágil.
A empresa reforçou seu compromisso com a recuperação do terreno. ? A World Sports, responsável pela implantação e gestão do gramado desde a construção da Arena, segue executando, em conjunto com a equipe do estádio, um protocolo específico de manejo para favorecer a consolidação do sistema radicular. A expectativa é que, dentro de aproximadamente quatro semanas, o gramado atingia plenamente o padrão de qualidade e performance que tornou a Neo Química Arena uma referência internacional em gramados esportivos ? comunicou a empresa via nota oficial.
O executivo de futebol, Marcelo Paz, também se posicionou sobre a cobrança feita aos responsáveis. ? Esperava-se que, já na volta dos jogos, na partida contra o Remo, o gramado estivesse com performance melhor. Infelizmente não aconteceu. A grama é um ser vivo, a evolução que se esperava não teve. Tivemos esse problema, principalmente no jogo contra o Athletico-PR ? pontuou Paz, reforçando que houve um compromisso para uma força-tarefa visando a melhoria até o duelo contra o Internacional.
Impactos no estilo de jogo e riscos físicos
O técnico Fernando Diniz, adepto de um futebol de posse e passes curtos, foi enfático ao criticar a atual condição. ? É frustrante porque eu sempre joguei aqui como adversário e o campo sempre foi uma arma para o Corinthians. Eu não sou especialista em campo, mas este é o pior gramado desde que a Arena foi construída. Eu jogo aqui todo ano, desde que a inauguração da Arena. Se o campo fosse ficar dessa forma, tinham que ter avisado: "Quando for voltar, o campo não vai estar em boas condições, vai estar perigoso, vai ter areia" ? declarou o treinador.
Além do prejuízo técnico, a preocupação com a integridade física dos atletas é evidente após as lesões recentes. O caso do meia Zakaria Labyad, que sofreu ruptura de ligamento ao travar o pé, é o exemplo mais crítico, acompanhado por problemas físicos de Rodrigo Garro e Yuri Alberto. O comentarista Zé Elias reforça que a qualidade do piso dita o ritmo da partida. ? O estilo de jogo do Fernando Diniz, sim, atrapalha um pouco. Porque realmente ele precisa de um campo bom para poder desenvolver essa velocidade com a bola nos pés. Toca, passa, toca, se movimenta, toca, passa. Isso daí, se você não tiver um campo bom, realmente atrapalha ? analisou.
Para o ex-jogador, o campo afeta toda a estrutura tática. ? Afeta todo mundo. Porque cada setor de campo exige uma condição do jogador. Um zagueiro hoje tem que ter um bom domínio, tem que ter um bom passe, porque hoje as jogadas começam com ele. Então, se o campo estiver ruim, realmente ele vai ter uma certa dificuldade, e aí vai se tornar um jogo lento para o zagueiro ? concluiu Zé Elias . O Corinthians volta a campo na próxima quinta-feira, sob a pressão de buscar a classificação na Copa do Brasil diante do Internacional em um gramado que, espera-se, apresente sinais de evolução.
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