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Emiliano Díaz relembra título do Corinthians em 2025: "Questão de honra" e drama de Garro
Por Redação FuTimão em 27/03/2026 04:11
Um ano se passou desde o momento em que a Fiel Torcida corintiana explodiu em júbilo. Na Neo Química Arena, um empate sem gols diante do Palmeiras selou a conquista do Campeonato Paulista de 2025, encerrando um jejum de seis anos sem troféus. A vitória, construída com méritos no Allianz Parque, elevou o Timão ao posto de campeão, superando seu arquirrival.
Naquela noite memorável, Emiliano Díaz, então membro da comissão técnica corintiana, sentiu o peso do dever cumprido. Em uma conversa exclusiva, o filho de Ramón Díaz revisitou os momentos cruciais que antecederam a decisão, o sofrimento de Rodrigo Garro e a vibrante energia da torcida que transformou o estádio alvinegro em um caldeirão de emoção.
A Honra de Vencer Pelo Timão
“A pressão era extrema. Foi muito sofrido porque sabíamos que não tínhamos outra escolha a não ser ganhar. Nosso rival não poderia levantar a taça em casa. Era uma questão de honra, o grupo entendeu. Conseguimos muitos títulos, mas esse tem um sabor especial porque foi com um dos maiores clubes em que trabalhamos”, declarou Emiliano Díaz, ressaltando a importância da conquista para a equipe técnica.
A campanha que levou o Corinthians à final com a vantagem de decidir o título em casa foi marcada por atuações de destaque. No primeiro confronto, no Allianz Parque, Yuri Alberto foi o herói ao marcar o gol solitário. Contudo, Rodrigo Garro, fundamental na articulação das jogadas, não pôde participar da partida devido a dores no joelho.
O Drama de Rodrigo Garro: Uma Lição de Superação
O período de onze dias entre os jogos da final foi de intenso trabalho do departamento médico alvinegro para recuperar o meio-campista. A véspera da decisão, no CT Joaquim Grava, trouxe um momento de apreensão quando Garro sentiu novamente o incômodo e precisou deixar o treinamento. Naquele momento, o jogador era a principal aposta do Corinthians para a conquista.
“O Gordo (Garro) não podia andar, não podia caminhar. Tivemos que fazer um outro plano tático, completamente diferente. É difícil você trocar porque o sistema era com um meia bem clássico. Se o Gordo não estivesse, teríamos que mudar o sistema. Estávamos muito preocupados. Quando o Gordo saiu do treino, me falou: 'Calma, amanhã eu te respondo'. Eu sabia que ele ia jogar.”
A dedicação de Garro foi exemplar. “De manhã, me ligou 9h da manhã e disse: 'Vou jogar nem que seja a última coisa que eu faça'. Quando um jogador chega e te fala uma coisa dessas é impossível não dar certo. Se um jogador dá a vida, bota sua carreira em jogo por uma partida, não pode não dar certo. Ficamos mais tranquilos, o Gordo recebeu uma infiltração, muito doloroso. Fez um jogo fantástico, precisávamos dele”, relatou Emiliano, emocionado.
A Força da Fiel e a Defesa que Valeram um Título
A partida decisiva foi um embate físico e de poucas oportunidades claras. Aos 28 minutos do segundo tempo, uma falta de Félix Torres dentro da área resultou em um pênalti para o Palmeiras. A tensão tomou conta do estádio, mas a confiança em Hugo Souza era palpável.
“O destino faz coisas que você não entende. Tínhamos muita confiança no Hugo Souza, sabíamos que era um dos melhores do Brasil. Não queríamos viver isso, foi um erro do Félix, mas aconteceu. Sabíamos que ia pegar. É um cara destinado a fazer coisas grandes. Não gostamos, não queríamos sofrer tanto para ganhar o título.”
A defesa de Hugo Souza, que espalmou a cobrança de Raphael Veiga, desencadeou uma explosão de euforia nas arquibancadas. Sinalizadores e rojões transformaram a Neo Química Arena em um espetáculo à parte, influenciando diretamente o ânimo dos jogadores em campo.
“Nunca vi nada igual. Faltavam 20 minutos e o jogo acabou. Eles (torcida) começaram a fazer uma festa como que dizendo: 'acabou o jogo'. Contagiaram de fora para dentro, o time entendeu que tinha acabado a final. Começamos a brigar, a jogar feio, não tinha mais passe, era só briga. O futebol tem isso às vezes. Você tem que se adaptar ao momento.”
Emiliano Díaz expressou um misto de admiração e frustração como treinador. “Eu, como treinador, não estava feliz. Queria ganhar e fazer o que havíamos treinado, que era atacá-los. Era um momento desesperador para eles porque tinham que vir para cima, nós tínhamos que acertar os contra-ataques. Entramos todos naquele bolo de emoção e também queríamos brigar. Eles têm muito a ver com esse título, sobretudo a final.”
Os 18 minutos de acréscimo foram de pura tensão e emoção, culminando com o apito final e a sensação de dever cumprido. “Se você faz um trabalho para pessoas que estão sofrendo e tem a possibilidade de fazê-los felizes, isso é ser um abençoado. Quando acabou o jogo, pensei: 'Cara, metade do país está feliz'. Sentimos que o Corinthians tinha voltado. É um clube que tem sempre que brigar por títulos, é o primeiro ou segundo maior do Brasil. Queríamos quebrar isso para que o Corinthians voltasse a ser o Corinthians. Acho que deixamos o nosso grão.”
O Legado da Família Díaz no Parque São Jorge
A dupla Díaz chegou ao Corinthians em julho de 2024, encontrando o time na zona de rebaixamento do Brasileirão. Na temporada de estreia, além de evitar a queda, o Timão emplacou uma sequência invicta de nove vitórias na Série A, estabelecendo um novo recorde.
Apesar da conquista paulista, a passagem da dupla pelo clube foi encerrada menos de um mês depois, devido a resultados insatisfatórios em outras competições. Ao todo, foram 60 partidas, com 31 vitórias, 16 empates e 13 derrotas, totalizando um aproveitamento de 62,2% dos pontos disputados.
Para Emiliano Díaz, a conexão com o clube de uma das maiores torcidas do Brasil permanece forte, com a esperança de um futuro reencontro. “A única forma para que não aconteça é se eu morrer. Tenho certeza de que essa história não acabou.”
O Retorno ao Mercado Brasileiro
Após deixar o Corinthians, a família Díaz teve passagens por Olímpia (Paraguai) e Internacional, com trabalhos que não alcançaram o sucesso esperado. Atualmente residindo no Brasil, Emiliano aguarda uma oportunidade para retornar ao cenário do futebol nacional.
“Recebemos muitas propostas, mas nada que a gente goste. O mercado brasileiro é a prioridade, mas um profissional tem que escutar todas as ofertas. Já deixamos passar ofertas irrecusáveis, acreditamos que depois da Copa do Mundo ou até mesmo antes, estaremos de volta”, afirmou o argentino.
Dicas Para a Conmebol Libertadores
Emiliano Díaz acompanha alguns jogos do Corinthians e acredita no potencial da equipe na Conmebol Libertadores. Sua recomendação para a estreia do torneio, contra o Platense, é clara: igualar a força física do adversário.
“Hoje, o Platense não está passando por um bom momento. Não é o time campeão que foi há um ano. Sempre jogar contra argentinos na Libertadores são jogos de luta, de briga. A qualidade tem que se impor. Hoje, o Brasil é muito maior que a Argentina em nível de liga. Jogar lá é difícil, é um campo pequeno, ruim. Você tem que se adaptar rápido porque não será fácil. Se o Corinthians se impuser nas brigas, vai ganhar com certeza. Se você tem um jogo mais abaixo, vai sofrer. Tenho certeza que o Corinthians tem time para passar de fase e brigar.”
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