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Corinthians pode perder patrocínio master de R$ 150 milhões por nova lei em SP

Por Redação FuTimão em 25/08/2026 11:58

O futebol paulista está prestes a enfrentar um grande obstáculo financeiro que pode desestabilizar diretamente o planejamento do Corinthians. Uma proposta legislativa em andamento na capital paulista pretende banir anúncios de empresas de apostas esportivas em eventos do setor. A medida acendeu o sinal de alerta no Parque São Jorge, dado o peso estrondoso que esse segmento possui atualmente no faturamento do clube.

Para compreender a dimensão do problema, basta analisar a evolução recente das receitas de patrocínio do Alvinegro. Até o ano de 2023, o Corinthians exibia em seu espaço mais nobre a marca de uma empresa do ramo farmacêutico, que desembolsava R$ 17 milhões fixos por temporada. Atualmente, o acordo com uma plataforma de apostas rende impressionantes R$ 150 milhões anuais ao clube, sem contar as premiações e bônus por desempenho esportivo estabelecidos em contrato.

Caso a proibição seja aprovada, o impacto financeiro não atingirá apenas o Corinthians , mas também seus principais rivais locais, Palmeiras e São Paulo. Juntos, os três grandes da capital paulista garantem anualmente cerca de R$ 350 milhões fixos somente com os patrocinadores máster em seus uniformes. Essa quantia é significativamente ampliada quando somadas as ativações em placas publicitárias nos estádios e outras propriedades comerciais de campo.

Contexto do Patrocínio Valores Estimados (Anuais)
Patrocínio Máster do Corinthians (Atual - Bet) R$ 150 milhões
Patrocínio Máster do Corinthians (Até 2023 - Farmacêutica) R$ 17 milhões
Soma dos Patrocínios Máster (Corinthians, Palmeiras e São Paulo) R$ 350 milhões
Patrocínio de Camisa do Flamengo (Maior do País - Bet) R$ 268,5 milhões

Como a legislação de São Paulo afeta as finanças do Corinthians

O projeto de lei, de autoria do parlamentar João Jorge (MDB), tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de São Paulo. Recentemente, a proposta obteve um parecer favorável quanto à sua constitucionalidade, avançando no processo legislativo. A medida prevê sanções severas para quem descumprir as regras, incluindo multas de R$ 50 mil e até o impedimento de realizar eventos esportivos na cidade por um período de dois anos.

A restrição proposta abrange qualquer tipo de evento promovido por organizações públicas ou privadas, profissionais ou amadoras, dentro do município. O texto legal deixa claro que o veto se aplica a, no mínimo, painéis, placas e faixas instalados nas arenas esportivas. O autor do projeto fundamenta a iniciativa apontando os prejuízos socioeconômicos causados pelo vício em jogos de azar na população de menor renda.

Em sua justificativa oficial, o vereador destaca as consequências sociais do endividamento familiar decorrente das plataformas de apostas virtuais:

? Não se pode deixar de citar, outrossim, situações de endividamento, conflitos familiares e desestruturação emocional oriundos do vício em apostas, situação que demanda resposta firme e preventiva por parte do Poder Público ?

Diante do risco iminente de um enorme prejuízo financeiro, a diretoria do Corinthians iniciou uma mobilização conjunta com os rivais e a Federação Paulista de Futebol (FPF). Os bastidores políticos estão movimentados, incluindo reuniões de alinhamento e até um encontro recente entre a liderança de um dos clubes da capital e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) para debater os desdobramentos da proposta.

A disparidade competitiva no futebol brasileiro

A grande preocupação dos dirigentes paulistas reside na desigualdade competitiva que uma legislação estritamente municipal pode criar. Enquanto os times de São Paulo ficariam impedidos de receber aportes de empresas de apostas, concorrentes de outros estados continuariam usufruindo livremente desse mercado inflacionado. Como parâmetro, o Flamengo detém hoje o maior patrocínio de camisa do país, recebendo R$ 268,5 milhões de uma empresa do setor.

O presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, expressou de forma contundente o temor das agremiações paulistas em relação ao desequilíbrio técnico que a aprovação da lei trará aos gramados:

? Se os clubes da cidade de São Paulo perderem as receitas das marcas de apostas, uma de suas principais fontes de faturamento, enquanto adversários de outros estados puderem mantê-la, haverá uma disparidade que chegará ao campo ?
? Uma regra restrita à capital paulista vai enfraquecer os clubes diante de concorrentes nacionais e internacionais e comprometer, de maneira direta, a capacidade de disputar títulos ?

A análise técnica de especialistas corrobora o receio dos cartolas. O advogado Pedro Lopes aponta que a restrição geográfica tende a beneficiar equipes de regiões vizinhas:

? É possível que equipes profissionais de cidades que não restrinjam esse tipo de publicidade passem a contar com alguma vantagem competitiva, sobretudo em razão da relevância que tais contratos representam para os clubes atualmente ?

O impacto no mercado publicitário do futebol

Além da perda direta de receita, economistas alertam para o efeito cascata que a saída abrupta dessas empresas pode gerar no mercado de patrocínios esportivos. O economista Moises Assayag destaca que o cenário atual é de extrema dependência desse segmento:

? A lei terá um impacto negativo nas contas dos clubes de forma bem ampla, considerando o nível de envolvimento das bets com o patrocínio do futebol no Brasil neste momento ?

O especialista acrescenta que, embora o mercado esportivo sempre encontre marcas substitutas para estampar as camisas, dificilmente haverá empresas dispostas a igualar os valores astronômicos praticados atualmente pelas plataformas de apostas. Ademais, a liberação simultânea do espaço nobre nos uniformes de Corinthians , Palmeiras e São Paulo provocaria uma desvalorização natural do mercado devido ao excesso de oferta.

O debate sobre a regulamentação e restrição desse tipo de publicidade não se restringe à capital paulista. No Congresso Nacional, propostas semelhantes estão em discussão. No âmbito estadual, o governo de Minas Gerais, sob a gestão de Mateus Simões (PSD), já decretou a proibição de propagandas de empresas de apostas em espaços públicos administrados pelo estado, o que engloba o estádio do Mineirão. Procurados para comentar o avanço do projeto de lei em São Paulo, Corinthians , Palmeiras e São Paulo optaram por não se manifestar oficialmente sobre o tema.

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