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Corinthians: Caixa bloqueia R$ 35 milhões da premiação da Copa do Brasil; entenda o motivo

Por Redação FuTimão em 06/01/2026 18:24

A recente conquista da Copa do Brasil pelo Corinthians trouxe um alívio financeiro considerável, mas uma parte significativa da premiação, cerca de R$ 35 milhões, foi retida pela Caixa Econômica Federal. Essa ação gerou apreensão entre os torcedores, levantando dúvidas sobre as obrigações financeiras do clube em relação à Arena de Itaquera. A diretoria corintiana contesta a medida, argumentando que o banco estaria antecipando o pagamento de juros futuros com recursos de anos subsequentes, enquanto a Caixa fundamenta sua decisão em cláusulas contratuais firmadas em 2022.

Causa do Bloqueio: Detalhes do Acordo com a Caixa

O Corinthians recebeu um montante de R$ 77 milhões da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como prêmio pela vitória na Copa do Brasil. Uma parcela considerável deste valor foi destinada ao pagamento dos jogadores, conhecido como "bicho". A quantia restante, porém, não ficou totalmente à disposição da diretoria para cobrir despesas imediatas, como a quitação de pendências que resultaram em "transfer ban".

Em vez de ser integralmente liberado, o dinheiro foi direcionado para uma "conta reserva", um fundo estipulado no acordo com a Caixa. Essa conta, embora pertença ao Corinthians , tem sua movimentação restrita ao banco, servindo como um mecanismo de segurança para garantir o cumprimento das obrigações financeiras do clube, caso outras fontes de receita venham a falhar.

O Mecanismo da Conta Reserva e Suas Exigências

O contrato em questão, acessado pelo Estadão, estipula que esta conta reserva deve manter um montante equivalente a quatro parcelas trimestrais de amortização do principal e seus respectivos juros. A constituição desse fundo é priorizada com 50% dos recebíveis de premiações e 30% dos valores brutos advindos da venda ou transferência de atletas.

O prazo estabelecido para que o Corinthians consolidasse o saldo necessário na conta reserva era até o final de 2025. As estimativas apontam que cada parcela trimestral pode variar entre R$ 20 e R$ 30 milhões, dependendo das taxas de juros vigentes, o que exige um saldo na conta entre R$ 80 e R$ 120 milhões. O valor obtido com a conquista da Copa do Brasil foi utilizado para completar a última contribuição anual para essa reserva. O próximo pagamento está programado para março.

Consequências do Não Cumprimento e Estrutura da Dívida

O não cumprimento da exigência de manter o saldo mínimo na conta reserva, com a devida recomposição em até 90 dias após notificação, pode configurar um "evento de inadimplemento" conforme previsto no contrato. Nessas situações, a Caixa detém a prerrogativa de bloquear outros fundos associados ao projeto e até mesmo antecipar a totalidade da dívida.

Portanto, a retenção atual é interpretada juridicamente pelo banco como uma medida de cumprimento das metas de liquidez acordadas. A dívida total do Corinthians alcança R$ 2,7 bilhões, sendo que aproximadamente R$ 650 milhões estão vinculados ao financiamento da Arena de Itaquera junto à Caixa. Para salvaguardar o pagamento, foram estabelecidas garantias que englobam participações acionárias e ativos imobiliários, incluindo a alienação fiduciária da sede social e do Parque São Jorge.

O acordo também determina que decisões institucionais relevantes passem pela aprovação do banco, detalhando a participação da Caixa nas receitas do clube. O fluxo de caixa comprometido inclui ainda o repasse escalonado das receitas de bilheteria do estádio, fixado em 50% até 2024 e elevado para 55% entre 2025 e 2027, além da totalidade das receitas de "naming rights" e direitos de transmissão.

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