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Conselheiro do Corinthians é suspenso após invasão à presidência

Por Redação FuTimão em 04/08/2026 16:33

O Conselho Deliberativo do Corinthians finalizou o julgamento do conselheiro Mario Mello Junior, aplicando uma suspensão de seis meses de suas atividades. A medida é um desdobramento direto da invasão ao quinto andar do Parque São Jorge, ocorrida em maio de 2025, durante uma manobra articulada pelo ex-presidente Augusto Melo para tentar reassumir o comando da instituição.

Embora a Comissão de Ética do clube tenha formalizado um parecer recomendando a expulsão definitiva do associado, o cenário mudou durante a sessão de julgamento realizada na última segunda-feira. Após um pedido direto do acusado, o plenário optou por abrandar a sanção, trocando o desligamento vitalício pela suspensão temporária.

Impacto das decisões e riscos jurídicos

A flexibilização da pena imposta a Mario Mello Junior trouxe à tona preocupações internas sobre a segurança jurídica dos processos disciplinares do clube. Existe o receio de que este precedente abra margem para que outros conselheiros e ex-dirigentes, que já haviam sido expulsos por condutas similares, recorram ao Poder Judiciário questionando a disparidade de tratamento e a falta de isonomia nas decisões do colegiado.

Para contextualizar, em junho passado, o clube já havia determinado a expulsão dos conselheiros Maria Angela, Paulo Juricic e Ronaldo Fernandez Tomé, todos envolvidos na mesma tentativa de reconduzir Augusto Melo ao poder. A divergência de métodos entre os julgamentos realizados agora e os anteriores evidencia uma clara falta de consenso na condução dos trabalhos por parte da cúpula do Conselho.

Justificativa da presidência do Conselho

Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, defendeu a postura adotada, argumentando que o conselheiro admitiu a responsabilidade pelos atos. Segundo Tuma, a votação não focou em uma possível absolvição, mas sim na dosimetria da sanção, levando em consideração o histórico do envolvido.

? Consultei o plenário porque o Mario reconhecia que tinha de ser condenado e substituímos a absolvição por outra pena. Ele não foi a julgamento com a possibilidade de ser absolvido. Ele seria condenado, mas desligado ou suspenso ? disse Tuma ao ge.
? Acolhemos o parecer na Comissão de Ética, mas, na dosimetria da pena, em comparação com os outros que tiveram a pena de desligamento, a punição foi amenizada pelos argumentos dele, pelo histórico no clube e pela individualização da participação dele no caso.

Divergências na cúpula administrativa

A condução de Tuma, contudo, não é unânime. Leonardo Pantaleão, vice-presidente do Conselho e responsável por presidir julgamentos anteriores que resultaram em expulsões, manifestou discordância técnica sobre a forma como o processo foi conduzido.

? Naquelas oportunidades, eu entendi que não cabia submeter ao plenário uma pena alternativa diferente daquela constante no parecer da Comissão de Ética, inclusive manifestei esse entendimento ao presidente Romeu Tuma antes da votação. A condução da sessão competia exclusivamente a ele, que adotou entendimento diverso e exerceu a prerrogativa inerente à presidência ? comentou Pantaleão em áudio enviado ao ge.
? Eu mantenho integralmente a minha posição, que eu sempre defendi, de que não poderia criar essa pena alternativa. E é natural que a adoção de procedimentos distintos em casos semelhantes possa motivar questionamento por parte de quem foi julgado anterior.

Outros julgamentos na mesma sessão

Além do caso envolvendo Mario Mello Junior, a sessão do Conselho Deliberativo também deliberou sobre o futuro de outros dois nomes influentes. Os conselheiros Manoel Ramos Evangelista, conhecido como Mané da Carne, e Marcelo Mariano foram expulsos do quadro social do Corinthians .

Ambos tentaram solicitar o mesmo benefício concedido a Mario, pleiteando que o plenário votasse entre suspensão ou expulsão, mas não obtiveram sucesso. Mané da Carne respondeu por ameaças a uma conselheira e denúncias de racismo, enquanto Marcelo Mariano foi julgado pelo seu envolvimento no escândalo da empresa VaiDeBet.

Conselheiro Resultado Motivação
Mario Mello Junior Suspensão (6 meses) Invasão ao Parque São Jorge
Manoel Ramos Evangelista Expulsão Ameaças e racismo
Marcelo Mariano Expulsão Caso VaiDeBet

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